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Isolamento vertical e isolamento horizontal: entenda as diferenças

Autores*: João Pedro Thimotheo Batista, Leandro José Pedrosa de Lima Oliveira, Lucas Riolo Salles, Leandra Prates Diniz, Gabriella Yuka Shiomatsu, Vitor Yukio Ninomiya, Ricardo Tadeu de Carvalho.

O que você sabe sobre isolamento vertical e isolamento horizontal? Bem, a primeira coisa que devemos esclarecer é que, apesar de o isolamento social ser um conceito que se popularizou, ele não é o mais preciso. É melhor falarmos de distanciamento social. A palavra “isolamento” é melhor utilizada quando nos referimos às medidas voltadas para pessoas com sintomas ou que tiveram contato com casos confirmados ou suspeitos de covid-19. Já o termo “distanciamento” pode ser melhor utilizado quando nos referimos às medidas voltadas para a população geral.

Ambos são medidas de saúde pública de história antiga e, ainda hoje, muito importantes para impedir o avanço de doenças infecciosas, como a covid-19. Existem duas modalidades diferentes de distanciamento: o vertical e o horizontal, e suas diferenças podem gerar dúvidas, assim como na confusão entre termos como quarentena e lockdown.

Embora os dois tipos de distanciamento sejam praticados de maneiras distintas, ambos apresentam seus benefícios e desafios particulares. Nesse texto, você poderá entender melhor as diferenças, além de ter acesso a dados que demonstram a eficácia do distanciamento no contexto da pandemia de covid-19. 

 

Isolamento vertical e isolamento horizontal: entenda as diferenças

Desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, muito se tem falado sobre a necessidade do distanciamento social como forma de conter o avanço da doença. Com isso, dois conceitos estão sendo muito falados pela mídia e começaram a gerar confusão: o isolamento vertical e o isolamento horizontal. Apesar de serem duas formas de distanciamento social, eles possuem algumas diferenças e nosso texto de hoje vai esclarecê-las para você!

Distanciamento social para a prevenção do coronavírus

Para começarmos a entender melhor como funcionam essas formas de isolamento social, vamos, primeiramente, falar sobre o conceito de cada uma delas:

Isolamento Vertical

É aquele no qual somente a parcela da população com maior risco de desenvolver a doença ou complicações dela é isolada. Isso significaria isolar somente as pessoas que pertencem aos grupos de risco para a covid-19, como os idosos, os imunocomprometidos, os obesos, os diabéticos e os portadores de doenças pulmonares (como a asma), cardiovasculares, hepáticas ou aqueles com doenças renais crônicas.

Assim, durante o isolamento vertical, pessoas que não pertencem ao grupo de risco continuam exercendo suas atividades de vida normalmente. Esse modelo é menos eficiente do que o isolamento horizontal, quanto a capacidade em conter a velocidade de transmissão doença. Além disso, vale ressaltar que a identificação dos grupos de risco é um desafio no cumprimento desta forma de isolamento.

Isolamento Horizontal

É aquele no qual o maior número possível de pessoas deve permanecer dentro de casa, independentemente de apresentarem fatores de risco ou não para a doença. O distanciamento horizontal pode ser feito em diferentes níveis de rigidez.

O mais rígido é chamado de lockdown, em que somente as atividades consideradas essenciais (como farmácias e supermercados) são mantidas em funcionamento normal. Pode, inclusive, haver um monitoramento das ruas pela polícia. 

À medida que a transmissão estiver mais controlada, pode haver:

  • abertura de serviços essenciais e maior liberdade de fluxo de pessoas;
  • abertura de serviços não-essenciais que não apresentam grande risco de provocar aglomerações, entre outros. 

Muito embora a covid-19 se apresente em diferentes fases, relativas a região (municípios e estados), o isolamento horizontal ainda é uma medida comum a situação do Brasil. A superlotação do sistema de saúde, que antes era temida no início da pandemia, hoje já é realidade em muitos municípios e apresenta-se como o principal fator a ser controlado enquanto as vacinas e os tratamentos para a doença não são desenvolvidos. Contudo, a flexibilização e o respeito ao isolamento deve seguir critérios amplamente dialogados na sociedade, pois mantê-lo por muito tempo pode ser prejudicial para a economia.

Homem vestindo máscara cirúrgica olhando pela janela

Uma breve história do isolamento

Apesar de parecer um termo novo, a ideia por trás do isolamento social é antiga e faz referência à palavra quarentena. De origem latina, a palavra quarentena remete ao número 40. Esse era o número de dias pelo qual passageiros de navios na Itália do século XIV precisavam aguardar para desembarcar, caso houvesse suspeita de infectados. Nessa época, o mundo vivia uma das maiores epidemias já vistas — a peste negra. 

A gravidade da situação estimulou o desenvolvimento de medidas de saúde pública complexas, como a descontaminação de locais públicos. Elas se tornaram padrões para outros países na época e muitas delas são utilizadas até hoje.

Outras situações históricas também levaram à adoção do distanciamento social. Em 1878, uma epidemia de febre amarela nos EUA levou o Congresso Norte-americano a criar a Lei Nacional da Quarentena. Já em 1918, a rápida expansão da Gripe Espanhola exigiu o fechamento de diversos estabelecimentos e a proibição de agrupamentos em países na Europa.

Os desafios do isolamento vertical e horizontal

Em ambos os tipos de distanciamento, existem desafios. No isolamento vertical, o objetivo é aumentar a imunidade das pessoas, isolando apenas os grupos de risco da covid-19. Como resultado, há uma eventual queda na transmissão e no número de infectados, mas não uma interrupção completa das atividades, dos serviços e do comércio não-essenciais. No entanto, para aplicá-lo, é preciso ter certeza de que as pessoas ficarão imunes e que isso ocorrerá rapidamente, antes de haver muitos óbitos e casos graves. Esse não é o caso da covid-19.

Já a realização do isolamento horizontal traz diversos impactos para a população. Dentre eles, o psicológico, o econômico e o relacionado à saúde pública.

Quanto ao impacto psicológico, muitas pessoas já sofrem com as suas consequências desde o início da pandemia. Há estudos que mostram que o isolamento social pode ser associado a doenças como a depressão e ansiedade e, até mesmo, com a violência doméstica.

Para enfrentar essa questão, diversos profissionais têm se disponibilizado para ajudar. É possível encontrar redes de apoio on-line que contam com psicólogos para atendimento a população geral e a profissionais de saúde.

Desenho de casas e pessoas representando o isolamento vertical e isolamento horizontal pela pandemia do coronavírus

No Brasil, já há relatos do aumento do número de agressões contra mulheres. Para alguns especialistas, isso pode acontecer devido ao aumento da convivência das mulheres com seus agressores. Caso conheça alguém que esteja passando por essa situação, as vítimas de violência podem se dirigir às delegacias ou agendar atendimento por telefone. Em Belo Horizonte, os números são: (31) 3330-5752 e 3330-5715 ou pelo número 180.

Quanto ao aspecto econômico e social, a paralisação de vários setores da economia pode elevar o número de brasileiros que vivem na pobreza extrema e aumentar a desigualdade de renda. Contudo, devido ao cenário mundial, o impacto na economia já era previsto mesmo sem as medidas de isolamento. Por isso, ações como o auxílio emergencial são importantes para minimizar os danos financeiros sofridos pela população. Além disso, os governos locais podem adotar medidas que adequam a rigidez do distanciamento social de acordo com indicadores de saúde e da economia.

Na área da saúde, o isolamento horizontal tem sido empregado para evitar o colapso dos sistemas de saúde (demanda de pacientes maior que a capacidade de atendimento). Mesmo assim, o número de pacientes internados cresce e é preciso que a população mantenha as medidas de higiene e de distanciamento social para evitar a transmissão do vírus.

Os resultados do isolamento social durante  a pandemia de covid-19

Analisando essas evidências, fica claro que o isolamento social, seja ele isolamento vertical ou isolamento horizontal, é fundamental no controle da pandemia de covid-19! Uma vez que ainda não há vacinas disponíveis e também nenhum medicamento específico para a doença, deve ser realizada saída gradual do isolamento social para evitar uma segunda onda de contágio grande e também para evitar maiores danos econômicos e aumento de óbitos causados pelo coronavírus. 

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*Este post foi escrito pelos alunos Faculdade de Medicina da UFMG pela parceria da SES-MG com o projeto Adote sua Vizinhança em Tempos de covid-19.

Este texto foi redigido conforme as evidências disponíveis até 22/07/2020.

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