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Como é feito o tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave?

Autores*: Mariana Dinamarco Mestriner, Letícia de Melo Elias, Gabriella Yuka Shiomatsu, Vitor Yukio Ninomiya, Ricardo Tadeu de Carvalho.

Você sabia que o novo coronavírus é chamado de SARS-CoV-2 pela ciência? O próprio nome nos alerta para a sua complicação mais grave, a Síndrome Respiratória Aguda Grave. É principalmente ela que causa os óbitos e as internações por covid-19. A sigla SARS, que vem do inglês, significa “Síndrome Respiratória Aguda Grave”. Já a sigla “CoV” faz referência a coronavírus, a família do vírus. O número 2 indica que ele é muito semelhante a outro, o SARS-CoV. Em outras palavras, o vírus causador da covid-19 é denominado “coronavírus 2 causador da síndrome respiratória aguda grave”.

Apesar de a maioria dos pacientes se recuperar completamente com cuidados domiciliares, aproximadamente 14% desenvolvem a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), condição grave responsável pela maior parte dos óbitos pela covid-19. Afinal, como é feito o tratamento da SRAG? Tire suas dúvidas aqui!

 

O que é Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)?

Para que uma pessoa seja considerada um caso suspeito de infecção pelo novo coronavírus, ela deve apresentar Síndrome Gripal (SG). De acordo com a Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais, a SG é caracterizada por:  

Síndrome Gripal (SG): pelo menos dois dos seguintes sinais e sintomas:

  • febre (temperatura maior que 37,8ºC) ou sensação febril;
  • calafrios;
  • dor de garganta;
  • tosse;
  • nariz escorrendo (coriza);
  • alterações no olfato ou no paladar.

Em crianças também pode ser considerada a obstrução nasal. Em idosos, pode haver confusão mental, desmaios, sonolência, irritabilidade e falta de apetite. 

Existem alguns sintomas que indicam que um paciente pode estar apresentando a forma mais grave da doença e que, portanto, deve ser internado para tratamento hospitalar. Esses pacientes desenvolvem a SRAG, que é caracterizada pelos sintomas da SG associados a pelo menos um dos seguintes sintomas:

  • falta de ar ou desconforto para respirar;
  • sensação de pressão no peito;
  • saturação de oxigênio abaixo de 95%;
  • coloração azulada de lábios ou rosto (cianose).

Isso mostra que a falta de ar não é a única forma de identificar a SRAG, além de não estar presente em todos os casos. Por esse motivo, diante da suspeita de covid-19, deve-se procurar atendimento médico para melhor avaliação e acompanhamento.  Além disso, crianças, idosos e população de risco devem ser avaliados com ainda mais cautela, já que podem manifestar a forma grave da doença de maneiras diferentes da citada. 

Foto de médico com estetoscópio, que deve ser consultado em caso de sintomas de síndrome respiratória aguda grave.

Photo by Online Marketing on Unsplash

É importante lembrar que, apesar do nome, o novo coronavírus não é o único capaz de causar SRAG. Outras infecções respiratórias, como as pneumonias bacterianas e a gripe causada pelo vírus Influenza, também podem se apresentar com os mesmos sintomas. Por isso, diante dos sinais de gravidade, o médico analisará todos os sinais, sintomas e exames para ver qual é o diagnóstico mais provável para cada caso.

No entanto, vale lembrar que muitas vezes não será possível aguardar o resultado de um exame de identificação do microrganismo causador da SRAG para iniciar o tratamento. Nesses casos, o profissional da saúde precisará tomar atitudes ágeis para salvar a vida do paciente. Porém, no contexto em que a covid-19 é a principal causa de SRAG, o médico notificará o Governo e comunicará a família sobre a suspeita de SRAG por covid-19. Havendo a positividade dos exames, confirma-se o caso.

Como é feito o tratamento da SRAG?

A SRAG é uma condição grave, que pode evoluir rapidamente para complicações respiratórias e para óbito. Por esse motivo, os pacientes com esse diagnóstico devem ser internados para tratamento dentro de um hospital, na enfermaria ou nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A escolha do local depende da gravidade do quadro.

O tratamento da SRAG causada pelo coronavírus, assim como o das formas leves da covid-19, está em estudo e pode variar entre países e entre hospitais. Geralmente, os pacientes necessitam de ajuda para facilitar a chegada de mais oxigênio aos pulmões. Para isso, um oxigênio extra é fornecido pelo nariz — por meio de tubos finos (cânulas nasais) — ou diretamente na traqueia, órgão que leva o ar do ambiente ao pulmão, por meio da intubação. Outras medidas incluem hidratação com líquidos, como o soro fisiológico, que podem ser ingeridos ou administrados diretamente pela veia do paciente, junto ao uso de medicamentos para dor e febre.

Foto de acesso venoso periférico em mão para hidratação do paciente e monitorização, que fazem parte do tratamento da SRAG

Photo by Olga Kononenko on Unsplash

Por se tratar de uma condição grave, os pacientes com SRAG devem ser internados e acompanhados de perto por profissionais da saúde. Dado o risco de instabilidade clínica dessa condição, torna-se fundamental a checagem dos principais sinais vitais, como a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a concentração de oxigênio no sangue. Adicionalmente, podem ser realizados alguns exames complementares como os exames laboratoriais, eletrocardiograma e exames de imagem (principalmente a tomografia computadorizada da região do tórax), dependendo da condição de cada paciente.

Quando é necessária internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)?

As UTIs são setores do hospital capazes de oferecer o chamado Suporte Avançado de Vida (SAV) para pacientes graves. Entre os pacientes internados com SRAG, uma parcela necessita desses cuidados intensivos, que só podem ser oferecidos nas UTIs. Assim, algumas das principais indicações são:

  • intubação: dificuldade respiratória que exige instrumentação hospitalar específica;
  • choque: falência na circulação, reduzindo o suprimento adequado de oxigênio ao organismo;
  • rebaixamento do nível de consciência: alteração do nível de responsividade do paciente aos estímulos externos;
  • aumento considerável na frequência respiratória;

Ambulância em alta velocidade levando paciente com síndrome respiratória aguda grave para tratamento em hospital.

Photo by camilo jimenez on Unsplash

Felizmente, a maioria dos casos de covid-19 é leve e apresenta um tempo limitado quanto a apresentação dos sintomas e tende a se resolver pela ação do próprio organismo, com recuperação completa e sem necessidade de internação.

Entretanto, a doença pode evoluir para formas mais graves, como a SRAG, mesmo que o paciente não apresente fatores de risco. Por isso, precisamos estar sempre atentos aos sinais de gravidade e procurar atendimento médico sempre que houver suspeita de infecção pelo novo coronavírus. Assim, o tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave poderá ser iniciado o mais rápido possível.

*As diretrizes para diagnóstico e tratamento da COVID-19 do Ministério da Saúde se encontravam fora do ar no dia 26 de junho de 2020, quando este texto foi escrito. Lembramos, também, que estes protocolos estão em constante aprimoramento e podem ser alterados com frequência.

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*Este post foi escrito pelos alunos da Faculdade de Medicina da UFMG pela parceria da SES-MG com o projeto Adote sua Vizinhança em Tempos de covid-19.

Este texto foi redigido conforme as evidências disponíveis até 23/07/2020.

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