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A VACINAÇÃO EM ADOLESCENTES

Autor*: Pedro Otávio Oliveira Santos

No dia 15 de setembro de 2021, o Ministério de Saúde do Brasil ordenou que a vacinação contra covid-19 direcionada aos adolescentes sem nenhuma comorbidade fosse suspensa. Tal atitude foi tomada devido a uma morte ocorrida em um adolescente vacinado. Contudo, até o momento, nenhuma relação de nexo causal foi estabelecida entre o óbito e a vacinação, existindo diversos fatores de confusão que podem explicar a morte ocorrida. 

Logo em seguida à publicação do Ministério, diversas sociedades médicas publicaram seus manifestos contra a ação tomada de impedir a vacinação dos adolescentes, embasando suas notas técnicas em dados científicos de grande peso de evidência, ou seja, dados concretos extraídos de estudos bem conduzidos e confiáveis. 
Quer entender um pouco mais sobre como deve ser a vacinação na população adolescente? Acompanhe o nosso post a seguir e tire suas dúvidas!

Como funciona a vacinação em adolescentes?

Até o presente momento, apenas a vacina produzida pela Pfizer tem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para vacinar a população de adolescentes no Brasil. Isso ocorre porque apenas esta vacina foi estudada de forma mais robusta e concreta para pessoas de 12 a 17 anos, mas nada impede que estudos bem conduzidos sejam feitos para as demais vacinas e que posteriormente possam vir a ser utilizadas para estas pessoas!

O grupo prioritário para ser vacinado dentro da população jovem, abaixo de 17 anos, segue a mesma linha básica de raciocínio que a vacinação em adultos, ou seja, a prioridade vai ser para aqueles adolescentes que tenham alguma comorbidade, como, por exemplo, obesidade grave, pressão muito elevada e sem controle adequado, e doenças que possam afetar a sua imunidade. 

Como a disponibilização das vacinas em território nacional vem evoluindo cada vez melhor, o grupo de adolescentes que não possuíam nenhuma comorbidade também passou a ser contemplado pela vacinação contra covid-19. E também neste caso, a vacina é realizada em duas doses com intervalo de no mínimo 3 meses entre elas. 

Você sabia? A vacina da Pfizer é uma vacina chamada de gênica. Mas, como assim? Significa que ela não age ao introduzir em nosso organismo um vírus mais fraco para que possamos montar uma resposta imunológica. Esta vacina usa na verdade um RNA, ou seja, um material genético do vírus (por isso é chamada de gênica) para que este material sirva como um manual de instruções para o nosso organismo montar uma resposta de defesa eficaz contra o verdadeiro coronavírus!

O QUE AS SOCIEDADES MÉDICAS PENSAM SOBRE A VACINAÇÃO ?

Após o anúncio feito pelo Ministério da Saúde sobre para a vacinação em adolescentes que não tiverem comorbidades, diversas sociedades médicas como, a sociedade de infectologia e a sociedade brasileira de imunizações, publicaram notas pedindo para que o Ministério reconsiderasse sua recomendação, visto que a segurança da vacina Pfizer para os adolescentes é inegável, e seu benefício para toda a sociedade deve ser reconhecido. 

Alguns dados usados para embasar o pedido das sociedades médicas para que a vacinação contra a covid-19 fosse mantida nos adolescentes, foram os seguintes:

  • No Brasil, foram vacinados 3.538.052, e destes, apenas 1.545 tiveram reações adversas, nenhuma considerada grave. Isso nos deixa com uma porcentagem de 0,043% de efeitos adversos na população de 12 a 17 anos (ou seja, se 100 adolescentes são vacinados, 0,043 tem chance de ter alguma reação leve a moderada à vacina). 
  • Das reações adversas mais temidas pela população, a miocardite (inflamação no coração) ocorre na proporção de 16 casos para cada 1.000.000 de vacinados, sendo esta taxa bem menor do que a miocardite gerada pela própria infecção do coronavírus. Ou seja, não se vacinar nos expõe a um risco muito maior de ter miocardite viral. 
  • Por fim, um dado extremamente relevante a favor de manter a vacinação em adolescentes, se encontra no fato de que finalmente iniciamos no Brasil uma fase de diminuição da doença (estamos longe de acabar completamente com a covid-19, mas já iniciamos esta caminhada). E isso se deve em grande parte à população de adolescentes vacinados, que além de terem menor risco de se infectar de forma grave, acabam não passando a doença para o próximo, quebrando a cadeia de transmissão!

Você sabia? A morte do adolescente que ocorreu no mês de setembro de 2021 está em intenso estudo para avaliar a relação da causa de óbito e da vacinação contra a covid-19, mas nenhum nexo causal foi estabelecido. Sendo assim, é injustificável e perigoso para a vacinação na população de 12 a 17 anos, visto que os benefícios trazidos por ela são inegáveis!

 

COMO O MINISTÉRIO DA SAÚDE SE PORTOU ?

A ANVISA, braço importante do Ministério da Saúde, reafirmou na quinta feira (16/09/2021) que a vacina da Pfizer é segura para os adolescentes na faixa etária de 12 a 17 anos. Sendo assim, permanece sendo válidas as orientações previstas na Deliberação CIB-SUS/MG Nº 3.508, de 03 de setembro de 2021, que aprova o uso da vacinação com o imunizante da Pfizer para todos os adolescentes de 12 a 17 anos no estado de Minas Gerais. 

Diversos estudos de segurança vacinal já foram feitos e continuam sendo realizados em prol do bem estar de toda a população mundial e brasileira, sendo assim, que possamos nos tranquilizar quanto a segurança trazida pelas imunizações e que sejamos fonte de conhecimento e boas informações para aqueles que ainda possam ter alguma dúvida em relação às campanhas vacinais contra a covid-19!

 

 

Referências

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